COLUNA
Eliabe para governador da Parahyba
 

eliabecastor@hotmail.com


O escafandro já estava sobre o meu corpo como uma carapaça de queratina. Era hora de entrar no oceanário Sea Life, na cidade alemã de Oberhausen. Buscava uma audiência com o polvo Paul no seu local de exposição. Antes de entrar na água, um funcionário do estabelecimento advertiu, com olhar severo, que o molusco dispunha de pouco tempo, solicitando, em seguida, que fosse objetivo, dispensando o lado prolixo da minha índole.
 
Após a homilia em alemão, concentrei-me para não ser difuso nas perguntas. Fui o mais direto possível. “Olá Paul, devo ser candidato ao governo do Estado?”. O bicho, de olhos grandes, flutuou sobre meu corpo com seus tentáculos munidos de ventosas. Em seguida veio o abraço que confirmava uma vitória fácil; sem gastos, desprovida da caneta e cooptações escusas. Para garantir o pleno êxito na empreitada, o cefalópode exigiu que meu vice fosse Baleia, estimado cão que há séculos acompanha minha vida pública e privada.

Após a previsão, saí do local em grande regozijo, afinal poderia dar por encerrada a política perrepista versus liberal que há muito estagna a Parahyba do Norte. Para tanto, basta sair vitorioso no pleito e iniciar uma nova fase administrativa para o meu “Sublime Torrão”. Seremos eu e Baleia redentores de uma capitania que nasceu real, mas, com o passar dos anos, tornara-se plebeia em decorrência do descaso daqueles que estiveram, e estão, à sua frente.
 
Lançada a chapa majoritária sem estardalhaço e foguetórios, meu único assessor, um místico russo chamado Grigoriy Yefimovich Rasputin, tratou de formular minhas propostas para o desenvolvimento efetivo do Estado. A primeira providência: construir um aeroporto internacional no Pico do Jabre, a fim de dar aporte aeroviário para a Copa do Mundo de 2014. Também, no documento, consta um túnel ligando a Parahyba do Norte ao chamado “Velho Mundo”, sendo o trecho final na antiga Gália, hoje território que compreende a actual França.
 
Um trem míssil, com velocidade hipersônica, está nos planos. Ele cruzará parte do Atlântico em poucas horas, facilitando a exportação e importação de bens duráveis, gêneros alimentícios e, claro, seres humanos. Outra ideia: edificar um Jurrasic Park no município de Sousa. Detalhe: ao contrário da ficção de Spielberg, os animais pré-históricos serão verdadeiros.
 
Para tanto, uma equipe de paleontólogos, geneticistas e manicures será contratada e, por dados do DNA de insetos presos na seiva do xiquexique, mapear o código genético de mosquitos jurássicos no intuito de dar vida a dinossauros terrestres, voadores e aquáticos. A meta é transformar a “Cidade Sorriso” e adjacências em grande pólo turístico.
 
Para tratar dos assuntos econômicos e industriais o consultor, ou secretário de Estado, caso prefira o leitor, será o economista Maílson da Nóbrega, o maior abacaxi, digo, a maior cabeça que o município de Cruz do Espírito Santo já produziu. Ainda na linha econômica, vou propor a Mohamed Hosni Mubarak, o atual presidente do Egito, a transposição do Nilo para beneficiar o semi-árido paraibano. Será a junção do “Velho Chico” com o rio de Cleópatra. Aqui vai um recado para a oposição: Júlio César, amante da rainha, já concordou com o projeto, pondo as legiões romanas à disposição da Parahyba do Norte para tocar a obra e baratear os custos da empreitada.
 
No que concerne à política externa, o Estado terá assento permanente na ONU, algo que o Brasil pleiteia há muito e não consegue, apesar dos atuais esforços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda nesta seara, será formulado um documento mostrando as riquezas paraibanas. A intenção é colocá-la dentro do seleto clube do G7 mais a Rússia. Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do país já foi contactado e aceitou a missão de convencer principalmente os Estados Unidos que a terra de Ariano Suassuna tem futuro, seja na literatura e teatro, seja como grande pólo industrial a ser edificado na minha gestão.
 
Para encerrar, mesmo a contragosto das famílias Pessoa, Cavalcanti e Albuquerque, a capital paraibana terá um reencontro com a história. Passará a ser chamada, novamente, Parahyba ou Nossa Senhora das Neves. E a bandeira? Bem, com certeza o luto e sangue serão abolidos para dar lugar à vida e prosperidade. Por enquanto as principais metas de governo foram expostas, aguardando novas ideias dos leitores. Ah! Conto com vosso voto!

 

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Eliabe Castor
Eliabe Elon Castor de Castro é graduado em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com especialização em Turismo pelo Unipê e graduando em Direito pela Fesp. Já exerceu funções jornalísticas nos “grandes” jornais do Estado e portais de notícias, e foi colaborador da revista A Semana, com a coluna Parlatório. É pai de Isabelle e Mikhael e detesta a mediocridade e a subserviência.










 

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