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@eliabecastor
O dia estava frio. Ventos gélidos, quase glaciais, sopravam sem piedade contra meu rosto. Busquei aquecimento no amor, mas ele se foi, levando a esperança ao seu lado. Estava só numa multidão. Um ano de solidão. Solidão, essa, bem diferente daquela encontrada na aldeia fictícia criada por Gabriel García Márquez. O meu estado de isolamento era real e, por mais paradoxal que pareça, foi necessário ausentar-me da sociedade para refletir. Discutir com o vento o valor da vida, procurar na paciência estóica de Sêneca um caminho para minha inquietude. Consultar a filosofia de São Tomás de Aquino e descobrir que “A humildade é o primeiro degrau para a sabedoria”.
Sem dúvida fora uma jornada difícil, mas necessária. Lembro dos caminhos percorridos, como os das imensas montanhas do Himalaia. Ali, no topo do mundo, recebi de monges tibetanos fitas coloridas para minha felicidade ser restaurada. Naquelas elevações nevadas fui ao seu cume, nua tentativa vã de buscar um deus e acabei conhecendo vários advindos da cultura cosmopolita do Helenismo.
O próprio Alexandre Magno recebeu meu corpo e alma. Com ele bebi e comi, tendo a oportunidade de conhecer Diógenes que, dentro do seu barril, solicitou a nós que nos afastássemos, pois estávamos ofuscando o sol. Percebi que, para aqueles homens, de um mesmo período histórico, o pouco era muito e, ao mesmo tempo, o muito era pouco.
Para Alexandre, “O grande”, o céu era o limite. Rei da Macedônia, fora o maior conquistador da história ocidental. Em apenas onze anos de marchas e combates nos mais variados territórios, controlou uma extensão de terras equivalente ao tamanho da Europa Ocidental.
Já o cínico Diógenes contentava-se em viver com uma túnica, um cajado e um embornal de pão. Ah, e o seu barril, claro! Mas minha caminhada não ficou no Helenismo. Passei pela Idade Média desacautelado, e o prisma divino não me fascinou. Buscava mais. Não pretendia ter uma fé cega.
Chegando ao Renascimento, percebi uma nova visão de homem. Encontrei o humanismo plantado naquele solo fértil. Confesso que quase tudo me agradou. Ali, aprendi que o ser humano é algo infinitamente grandioso e valioso. Lá, tive a oportunidade de ter um contato breve com Marsílio Ficino que, em tom solene disse: “Rapaz, conhece-te a ti mesmo, ó linhagem divina vestida com trajes mortais”. Sem dúvida fora uma frase impactante que levo para a minha vida, afinal, todos os dias mudo, e tenho a necessidade de conhecer minhas vísceras, alma e pensamentos.
Na minha mochila de viajante, dei espaço para Spinoza, Locke e Kant. Discutimos o empirismo, o nosso lado sensorial e a razão, mas foi a ética racional kantiana que fez avançar meus neurônios há muito adormecidos. Ele permitiu novas ideias, entendi que, para ser feliz, faz-se necessária disciplina e forte noção do dever, pois o homem não é perfeito, e sim dual. Não se pode sair do caminho ético sem esperar efeitos colaterais. E foi isso que aconteceu na minha vida. Egocêntrico que sou, imaginei que poderia “sair” da sociedade sem receber coações. Ledo engano.
No percurso filosófico, como um ermitão que foi ao deserto buscar sua alma, sua consciência; outras figuras magníficas surgiram, dando como exemplo um certo Karl Marx que, de forma professoral, disse-me: “Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo”. Bem, como não posso modificar o mundo, pensei: posso, ao menos, modificar meus conceitos, o meu próprio mundo, que há muito vivia em conflito doentio.
Por fim, tive uma estada com Freud e Sartre. O primeiro foi bem claro, explicando que não há uma verdade suprema, pois cada um tem sua verdade, deixando no fundo do copo que “Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro”. Já o francês Jean-Paul Sartre, existencialista que era, explicou o motivo da minha vida, da nossa vida, com uma frase que, a princípio, parece ser egocêntrica, mas é pura realidade: “Nasci para satisfazer a grande necessidade que eu tinha de mim mesmo”.
Bem amigos e amigas, após boas lições, dolorosas às vezes, volto do meu deserto mais revigorado. Mais adulto e consciente que o meu papel na sociedade é observar, analisar, debater, mas nunca, nunca, isolar-me dela. Pois, sim assim for, o ocaso; o ostracismo físico, mental e espiritual é imediato.
Parlatório
As pesquisas funcionam?
Estou preocupado com aqueles ou aqueles que lideram as pesquisas eleitorais na Paraíba. Não é de hoje que as mesmas costumam errar. Bem mais prudente para nossos postulantes a cargos eletivos procurarem na quiromancia, astrologia ou na vidente da esquina o seu futuro na político.
Guerra dos mundos
A guerra política nunca acaba na Paraíba. Perrepistas e Liberais nunca se entendem. Agora, estão lutando para colocar o nome que será cunhado na placa do Centro de Convenções da Paraíba. Uma ala defende que o espaço preste homenagem ao ex-governador Tarcísio de Miranda Burity. O outro espera que o também ex-governador Ronaldo Cunha Lima receba a consideração. Assim fica difícil!
Coração Valente
Sir William Wallace foi um guerreiro escocês que liderou seus compatriotas na resistência à dominação inglesa imposta pelo reinado de Eduardo I. Os candidatos que têm reais possibilidades de chegar ao final do pleito vitorioso poderiam ir até a terra do Kilt e dar uma palavrinha com o herói. O objetivo seria aprender novas táticas de guerra. As que vêm sendo empregadas em Filipéia de Nossa Senhora das Neves já não surtem mais efeito.
Futuro e passado
Não leitores, não vou ensinar conjugação verbal. Podem ficar tranquilos. Falo das forças políticas que disputam o trono do Executivo Municipal da Parahyba do Norte. Hoje, falo do hoje, não se tem um candidato disputando a majoritária que possa dizer: “estou eleito”. Notem que o petista Luciano Cartaxo e Estelizabel Bezerra (PSB) estão crescendo. Não duvidem um segundo turno entre os dois.
E o passado? Bem, apliquei aqui o passado não de forma pejorativa. Mas o fato é que o experiente Cícero Lucena, com um PSDB rachado, e o decano José Maranhão, que buscou até o último segundo seu vice, já não têm a vantagem da partida. Ficaram enroscados numa trama de fios desalinhados, mesmo sendo apontados como favoritos.
Só para refrescar a memória recente, na última eleição para o governo do Estado, José Maranhão (PMDB) despontava como favorito. No resultado da boca de urna da Rede Globo “mãe”, foi dito que o peemedebista seria o novo governador da Paraíba, não havendo segundo turno.
Houve, claro, segundo turno, Ricardo Coutinho (PSB) saiu vitorioso. Só mais um pouquinho de veneno. Quem não lembra da dupla apoiada pelo mesmo José Maranhão; Roberto Paulino e seu vice Gervásio Maia (pai). Também não haveria segundo turno. Resultado: Cássio Cunha Lima, do PSDB venceu.
Agora é sentar no poleiro é ver os novos episódios de uma novela que acaba de começar.
Fogo e ferro
“Quando eu crescer quero trabalhar no judiciário paraibano e morar naquele Estado. A julgar o salário do pessoal, a Paraíba é um porto muito rico e seguro”.
Aos amigos e amigas que sempre acreditaram no meu ser, na minha physis.
Demócrito: “A amizade de um único ser humano inteligente é melhor do que a amizade de todos os insensatos.” |