CAPA / Artigo
Paraíba, 19 de Maio de 2013

Pesquisar no site  
Editorial



O controle está na sua mão
 
“A televisão me deixou burro, muito burro demais. Agora todas as coisas que eu penso me parecem iguais”. Pode até parecer exagero, mas o verso desta música de Arnaldo Antunes tem, em parte, um fundo de verdade. Afinal, ao mesmo tempo que a televisão tem o poder de educar, tem também o poder de contribuir com o empobrecimento da nossa cultura. Para cada público alvo, existe uma receita, existe um programa que se encaixa perfeitamente ao gosto do freguês.
 
Já se disse muito que a televisão tem o poder de alienar. E dessa discussão surgiu o “alienado”, termo muito utilizado na década de 1960, no Brasil, para identificar as pessoas que valorizavam futilidades e “americanismos” e eram politicamente alheias e não engajadas. O programa da Jovem Guarda, por exemplo – comandado por Roberto Carlos na TV –, era considerado um celeiro de “alienados”. Só porque valorizava uma música que, para alguns, era considerada “fútil”.    
 
Muitas décadas se passaram, e a sociedade continua mais ou menos a mesma. Muitos alienados e, cada vez mais, menos politicamente engajados. E o que a televisão tem a ver com isso, nos dias de hoje? Eu diria que tem uma parcela de culpa, como teve no passado, mas esta culpa não é só dela. É também da falta de educação, da ausência de políticas públicas voltadas para a cultura, ao longo de séculos, no nosso país.
 
Esse problema não é apenas nosso. É também dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo. O Big Brother, por exemplo, não nasceu no Brasil. O culto ao ócio, ao fuxico, à intriga, ao sexo, ao álcool e à burrice não é exclusividade nossa. É inerente ao ser humano, com ou sem educação. A culpa é principalmente do próprio público, que consome o conteúdo. Só existe baixaria na televisão porque existe um público que gosta de ver baixaria na televisão.
 
A televisão é apenas um meio poderoso, atraente, sedutor, capaz de difundir o que presta e o que não presta. Cabe a nós, o público, escolher o que presta e o que não presta para nossas vidas. Diferentemente do passado, hoje temos um cardápio de opções na televisão, mesmo para aqueles que não tem dinheiro para ter emcasa uma TV por assinatura. E temos também muita coisa parecida na programação, e o que muda é apenas o canal. Cabe a nós, então, saber separar o lixo do luxo.
 
E essa tarefa de garimpar o que é bom e o que é ruim, na programação da televisão,torna-se ainda mais necessária para quem tem filhos. Os pais precisam exercer o papel de controle-remoto, contribuindo para a formação das crianças de hoje que serão os consumidores adultos de amanhã. O que é bom ou o que é ruim para elas só depende de você, e não da televisão. Afinal, nem tudo que a antena captar meu coração captura. “Vê se me entende pelo menos uma vez, criatura”.
 
Visite também meu blog: www.allyssonteotonio.com.br 
 
     
     
Imprimir Notícia
 
Outros textos

Veja todos os textos deste colunista
 
 
 
As opiniões expressas pelos articulistas são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, o pensamento do Parlamentopb.com.br
 
Allysson Teotonio


Publicitário, jornalista e empresário, é sócio e diretor de atendimento e planejamento da agência Faz Comunicação, em João Pessoa. É colunista do jornal A União. Atua na área de comunicação desde 1995. Começou a carreira como sócio-diretor da Mundo Livre Comunicação. Foi repórter do jornais Correio da Paraíba e O Norte e assessor de comunicação de várias empresas, entre elas, Oi e Telemar.





Copyright 2009 - 2013 - Parlamentopb.com.br