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Paraíba, 19 de Maio de 2013

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Editorial



Lau e a Revolução
 
Há períodos na história em que o tempo se acelera. Uma vertigem de transformação toma conta da sociedade, que anseia por profundas mudanças. O passado tenebroso anuncia um futuro promissor. Nesses períodos, onde tudo parece incerto e duvidoso, em que o hoje se rebela contra o ontem para construir o amanhã, só os políticos de visão de futuro e os poetas com espírito revolucionário têm liberdade para nos conduzirem. Por isso, cada momento revolucionário teve seu poeta mais emblemático.
 
A Independência Norte-americana (1776), primeira rebelião exitosa contra o domínio colonial britânico, teve sua voz no poeta Walt Whitman. Jornalista, professor e poeta, Whitman traduziu como poucos o sonho americano de liberdade e democracia. Na primeira versão da sua coletânea “Leaves of Grass (Folhas da Relva)”, publicada em 1855, continha 12 poemas e um prefácio. Poucos escritores americanos amou tanto seu povo. Raros se alegraram e sofreram como ele.
 
A Revolução Russa, que mudou a face do mundo a partir de 1917, desejou colocar em prática o sonho da igualdade entre os homens. Teve no gigante Mayakovsky seu ardoroso defensor. Revolucionário nas palavras e ações, Mayakovsky colocou na poesia as paixões humanas, com suas grandezas e fraquezas e, principalmente, nas suas esperanças. Foi um poeta que enfrentou fome, frio e balas, sem desanimar. Só fraquejou quando viu seu sonho de igualdade ser aprisionado pelo autoritarismo.
 
A experiência socialista chilena de 1970, aniquilada pela aliança macabra entre o imperialismo americano e o conservadorismo, teve em Pablo Neruda seu exuberante divulgador. Diplomata, político e congenitamente poeta, Neruda foi muito mais do que chileno. Foi todos nós, que amamos amar com paixão e fúria.
 
Também temos nosso poeta: Lau Siqueira. O conheci em 1996, nas ruas mal iluminadas e esburacadas do bairro de Mangabeira, durante uma panfletagem política noturna. Figura impressionante. Braços fortes de um guerreiro, mente ágil de um jornalista e o coração do tamanho dos nossos sonhos.  Carregava sobre os ombros duas crianças, como se fossem pássaros raros nascidas de sua inspiração poética. Impossível não se tornar imediatamente amigo desse gaúcho de sorriso fácil e alma latino-americana.
 
Ele é o nosso poeta revolucionário. Ele sabe das escolas construídas e dos artistas homenageados. Ele canta os espaços socializados das praças nos distantes e alegres bairros. Ele vê a cultura popular valorizada. Ele se orgulha do empreender. Ele sofre com as vítimas da chuva. Ele se alegra com aqueles que passaram a ter casa. Ele vibra com o orçamento democrático. Ele imortaliza essas experiências na sua poesia.
 
Enquanto escrevo, minha mão treme e meus olhos se embaçam pelas lágrimas, coisa raríssima num homem de cinquenta anos que só teme enfrentar suas próprias emoções. Mas tenha certeza, amigo Lau, daqui a cem anos, quando todos nós formos poeira do esquecimento, você será o único a estar vivo com sua poesia. Intensa, vibrante e libertária, como aquele sonho que começou a virar realidade nas ruas escuras de Mangabeira.
 
     
     
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Lucio Flávio


Lucio Flávio Vasconcelos é Doutor em História pela USP, professor da UFPB e atualmente Chefe da Casa Civil do Governo da Paraíba





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